Descrição
Selo: Urso
Ano: 2020, 126 páginas. Tamanho de 14x17cm
Organização: Lua Bueno Cyríaco
Tradução: Lua Bueno Cyríaco, Felipe Medeiros e Yu Pin Fang
A figura da raposa desperta grande interesse em muitos. Parte por sua incrível adaptabilidade natural, marcada por sua astúcia, especialmente, em se aproveitar da distração e presença humanas.
Nas fábulas de La Fontaine ou nos contos maravilhosos ocidentais, os animais podem até falar ou apresentar algumas qualidades humanas, mas no oriente, isso é um pouco diferente.
De uma forma geral, muitas culturas orientais apresentam aspectos animistas na base de suas crenças. E isso, leva aos animais adquirirem aspectos humanos, por vezes, de forma mágica ou por uma habilidade inerente e misteriosa das criaturas da natureza. E quando dizemos “aspectos humanos” nos referimos inclusive, a sua forma.
Existem várias apresentações para as raposas em outras culturas orientais. No entanto neste pequeno livro foram reunidas histórias típicas onde a raposa é um animal maravilhoso com habilidades de se metamorfose ou possessão.
Este livro traz 18 contos entre ainus, coreanos, chineses, japoneses e um vietnamita, sendo a maior parte deles inéditos no Brasil, com destaque para os contos Tamamo No Mae, Huang Jiulang, o nono filho e Venha e Durma, contos que datam entre o século VIII e XVIII.
Diego Araujo –
“Sua beleza fez uma raposa má se apaixonar por você”
Histórias persistem ao longo dos séculos, e mesmo as autóctones chegam também a outras regiões, por vezes demonstram significados diferentes de um mesmo fenômeno, ou gera uma reflexão ímpar daquela cultura capaz de a admirar da forma apresentada. Este livro traz o exemplo da contemplação de certo animal nos países asiáticos. Raposas: Contos Fantásticos Orientais reúne algumas dessas histórias tradicionais aos leitores brasileiros. Organizado por Lua Bueno Cyríaco e traduzido por ela além de Felipe Medeiros e Yu Pin Fang, foi publicado em 2020 graças ao sucesso da campanha de financiamento coletivo. E, lembre-se, também não sou uma raposa ingrata São contos oriundos da China, Vietnã, Coreia e Japão, distribuídos em período de dez séculos de escrita. Alguns já são adaptações de narrativas orais para a escrita, persistentes graças as gerações a recontarem essas histórias até alguém as registrar no papel. Das mais diversas nuances, as narrativas compartilham a raposa como elemento central ao explorar os diversos significados dados a esses animais na cultura da respectiva autoria. Desta diversidade, a edição do livro engloba os contos em três categorias de raposas, as ardilosas, amorosas e malignas, e mesmo dentro desse enquadramento cada conto é único em significado. Esta resenha não aborda cada conto em respeito ao leitor conferir por si, senão acabaria comentando detalhes prejudiciais a experiência de leitura. Por outro lado há um ponto importante em avisar a quem pretende ler esta coletânea, a publicação dedica a traduções dos contos orientais conforme eles são, sem adaptar em prosa moderna, respeitou até as narrativas de origem oral, o que tornam a escrita plana, de frases objetivas a transparecerem as intenções dos personagens e as simbologias explicadas. A coletânea é interessante quando a depara sob a curiosidade de vislumbrar o significado cultural empreendido às raposas pelos países de onde a história é contada, um material de referência útil a escritores interessados em elaborar as próprias histórias de raposas. Raposas: Contos Fantásticos Orientais traz os olhares tradicionais de quatro países asiáticos sobre as raposas, respeita as culturas de todos eles ao traduzirem os contos da forma como são, e assim oferece uma referência de qualidade por meio do design editorial de encadernação oriental e lindas imagens feitas também por artistas vigentes aos dos períodos dos contos.
Matheus Balan –
Eu conto ou vocês contam?
Não tenho muito o que falar sobre a obra específica. Não espere nada diferente do título. É uma coletânea de contos fantásticos orientais sobre raposas. Os contos são muito interessantes pra quem curte raposas, contos e tem interesse na cultura oriental. Vemos raposas boas, más e raposas justas (em seu próprio senso de justiça). Como Lua Bueno sugere, o conceito de “bom” e “mau” é difícil de definir e você vai se pegar questionando quem que tem a razão nesses contos.